O desgaste das solas, o sangue escuro dos calos e o traçado não deixam mentir: esta locomotiva caminha fora dos trilhos.
Mais que opção!
Pulmões em seu exercício continuo de expansão e contração, geradores e auto-consumidores de energia vital.
Calmamente movo o pé de trás à frente.
Percebo meus maleiros cheios apesar de todos os passageiros já terem seguido seus caminhos.
O que há de mais íntimo esqueceram em suas malas.
Reconheço seus donos pelos os formatos e principalmente o odor peculiar que exalam.
Engraçado encontrar muito do mesmo.
Imagino que não estou sozinho e que o mesmo aconteça com eles também.
Abandono a carniça para as hienas que riem incessantemente e aos urubus que se alimentam dos restos.
Quanto aos perfumes e aromas inesquecíveis colhidos no meio do trajeto, é chegada a hora de regarem a lenha dessa casa de máquina.
¡Que contaminem o ar!
Quanto tempo pode o homem ficar longe do chão?
Elevo meu pensamento para as coisas do alto.
A paisagem é muito mais bonita quando meus pés livres sentem que os relevos mais íngrimes levam-me para mais perto do Sol.
Pura ilusão?
Ainda permito surpreender-me diariamente.
Quanto aos caminhos, espero que um dia que nossas linhas se cruzem.
Há 6 anos
