sexta-feira, 12 de novembro de 2010

101110

Um homem dá sinal para que o ónibus pare. O motorista freia em cima, abre a porta e enquanto acelera em ponto morto o homem pergunta: "É circular?" O motorista responde "Até a meia noite" com um sorriso estranho no rosto "Depois a gente vai para a garagem onde os carros dormem, se quiser ir para lá com a gente…" O homem sobe, não fala nada, senta no banco dos deficientes - ele que não tinha nenhuma deficiência aparente - olha pela janela, despede-se acenando com a mão mas ninguém lhe retribui com aplauso. Ele vê as multidões andando pela rua como rastros de luzes e cores. Ele vê as multidões paradas como Felini um dia viu. O calor é insuportável, a poluição cola na pele e escorre com o suor. Sem que o homem possa evitar um sono profundo lhe sequestra a alma.